F A Q

• Como se pronuncia seu sobrenome?

A forma correta, advinda da origem austríaca, seria Pedôt, com o “e” fechado e ênfase na última sílaba. Mas o usual é “italianizar” a pronuncia e, desde a escola, o comum é eu ouvir e atender por “Pedóti”, mesmo.

• Descreva o seu projeto em uma frase.

“O trabalho criativo de Paulo Pedott abrange design, publicidade, tipografia, ilustração e fotografia em partes iguais, tendo como parâmetros os objetivos de comunicação e de marketing definidos no briefing”.

• O que te inspirou para começar em design?

Desde pequeno, (e isso foi na época da Guerra do Paraguai) sempre tive obsessão por leitura e expressão visual (desenho, pintura)… Quando adolescente, sei lá porque me matriculei por três anos na Faculdade de Engenharia Mecânica da UFRGS (eu achava que iria projetar, desenhar e desenvolver motores de competição…) Quando eu vi que o negócio envolvia física, matemática, química e, que no máximo iam tentar me ensinar a projetar sistemas de ar condicionado para prédios comerciais, eu caí fora… Daí tive dúvidas entre Arquitetura ou Publicidade, pois as duas envolviam DESENHO (o único assunto em que eu me dava bem na Engenharia)… Escolhi Publicidade e a Direção de Arte foi o caminho natural… Não me vejo fazendo outra coisa.

• Por que você começou a desenhar tipos?

Por pura necessidade… Em 1997, recebi um briefing muito detalhado da então Fundação Faculdade Federal de Ciências Médicas de Porto Alegre, solicitando toda uma Identidade Visual para a instituição. Da análise do briefing, surgiu a necessidade de uma fonte que transmitisse determinados aspectos de imagem solicitados. Após pesquisar muito, resolvi que somente criando uma fonte eu atingiria os objetivos definidos, e assim surgiu minha primeira fonte, a Doris PP, que hoje é exposta no site Dafont. Após esta criei outras para outros clientes, mas esta é a que mais gosto.

• Onde você se preparou para a carreira?

Minha família nunca teve grana para me pagar universidades privadas, por isso estudei na UFRGS, cursei Comunicação Social – Publicidade e Propaganda, fiz também um curso muito legal (e desconhecido) de desenho de observação no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre (isto despertou duas coisas: um sentido muito especial de “ver através e além do que é mostrado” e um prazer em ver bom design. Depois fiz um estágio não remunerado de 1 ano em uma das melhores agencias de publicidade de Porto Alegre de então, a Módulo Publicidade, onde trabalhei com gente muito talentosa em PP, onde aprendi a diferenciar “arte” de “publicidade”, “prêmios” de “eficiência”, “sacadinhas” (publicitário adora “sacadinhas”… as melhores são as com churrasqueira.) de “objetivos” e assim por diante. Por fim, fiz um mestrado em Administração de Empresas na Escola de Administração da Universidade Federal do rio Grande do Sul, com área de concentração em Marketing e escrevi a dissertação  Publicidade na Internet. A Internet como Ferramenta de Comunicação de Marketing.

• Como o seu trabalho evoluiu desde que você iniciou?

Meu trabalho ficou muito mais elaborado com o tempo, no início, eu tinha dificuldades com fundos de minhas peças e com alinhamento de conteúdos, com o tempo, pesquisa e observação eu evoluí bastante nestes aspectos. Eu acho que tenho uma boa sensibilidade para escolha de fontes para meus projetos e finalmente, nos últimos dois anos descobri que eu podia fazer ilustrações técnicas, algo que eu sempre admirava e nem sonhava que um dia conseguiria fazer.

• Como você trabalha? Qual é o seu processo?

Todo meu processo começa com uma REAL e MINUCIOSA leitura do briefing do projeto;  a partir deste ponto não podem haver dúvidas de onde se quer chegar. Em seguida minha fase favorita: a PESQUISA. Eu realmente acredito que é nesta fase que é definido o sucesso de um projeto ou não. Costumo dedicar de dois a três quartos do tempo de um projeto para a pesquisa, não importa o tamanho do projeto esta pesquisa inclui também a fase de rascunhos á lápis (tenho um moleschino com alças para três lápis: um B ou HB, um 5B e um puro grafite 8B que só desgruda de mim no banho). Depois de coletar as informações em uma quantidade que me satisfaça e me deixe seguro para ir em frente, vou para frente da tela, tenho 4 delas que eu uso: uma LCD de 15″ do meu notebook; uma CRT 17″ do PC de minhas filhas, para quando preciso criar algo para ser visualizado em tela e preciso de maior precisão de cores; Uma LCD de 22″ da estação de trabalho principal; e por último uma LCD de 32″ (a TV da sala de casa) que uso quando quero fazer ilustrações, onde o tamanho maior é uma mão na roda para detalhes. Tenho duas Tablets para desenho e pintura, uma 8″x 6″ e uma 4″x 5.5″ -para viagem.

Uso basicamente quatro programas:

  • Adobe Photoshop para edição de fotos, ilustração e preparação de originais para divulgação;
  • Corel Draw! Para desenho de materiais (comerciais ou ilustração) mais simples ou que precisem de maior rapidez  na confecção;
  • Adobe Illustrator para desenho de materiais (comerciais ou ilustração) mais elaborados ou complexos, que necessitem maiores recursos de tratamento visual;
  • Adobe InDesign para editoração, onde desenvolvo catálogos comerciais e editoro meus próprios livros.

Por contingências, tive de aprender outros programas, como o Google SketchUp e o Blender para algumas ilustrações em 3D e recentemente tive de reaprender o Adobe Flash MX, pois minha filha Julia (10) resolveu que queria criar jogos em Flash e eu PRECISAVA ensinar ela.

Usualmente mostro ao cliente 2-3 caminhos em um primeiro contato e com a definição de qual seguir desenvolvo pelos caminhos normais

• Quanto tempo você leva para fazer as coisas?

Realmente depende da quantidade de pesquisa necessária para o projeto; se o cliente fornece informação de qualidade em boa quantidade, pouca pesquisa é necessária… Na maioria das vezes, após o processo de pesquisa, eu sou muito rápido. Se necessário posso entregar algo de qualidade em 24h, outras vezes leva um ou dois dias.

• Que conselho você daria para as pessoas que querem contratar serviços de criação visual?

Se você quiser um produto visual (logotipo, embalagem, anúncio, rótulo, cartaz, ilustração) que realmente tenha qualidade comunicacional, qualidade técnica e qualidade de múltipla reprodução, então você precisa realmente contratar um profissional ou uma empresa que vá além da “sacadinha” e da solução moderninha, modal… Você precisa de alguém ou alguma empresa que entenda seu problema de comunicação e que seja COMPROMETIDO com a solução deste problema, e não apenas forneça um desenho comum ou “na moda”, como os muitos que existem pela Internet e/ou estarão datados em seis meses.

• Que conselho você daria para as pessoas que querem prestar serviços de criação visual?

Quando você não está fazendo um trabalho para um cliente, faça um monte de trabalhos pessoais. Se você quer ser um designer de qualidade, você tem que pesquisar, aprender, pesquisar, aprender, pesquisar e aprender. Tudo. Pesquisar sobre tudo e aprender sobre tudo. Se der tempo, pesquisar e aprender sobre programas de computador. Comprar (E LER!!!!!) livros (aquelas coisas estranhas que se vende em “livrarias” ou são oferecidos para empréstimo em “bibliotecas”) de arte, livros sobre a história da arte, livros sobre estilos e períodos artísticos, livros sobre design (todo tipo, gráfico, de produto, eletrônico, de tipos), livros sobre publicidade, livros sobre técnicas de design e ilustração, etc… Prática, prática, prática. Se você tiver paciência para fazer tudo isso, vai ter sucesso garantido!

• Quais são algumas das suas inspirações?

Cartazes de época (Cassandre, Depero, Schwitters), evolução de logotipos (Rand, Chermayeff & Geismar, Bass, Glaser) blogs de fotografia (adoro o flickr, tem ,um mundo de inspiração lá), blogs sobre embalagens (TheDieline, PopSop), entre outros.

• Que outros designers / ilustradores o inspiram?

Tantos que é difícil citar…  entre os mais conhecidos, Banksy, Bass, Brody, Carson, Crouwel, Frutiger, Glaser, Moholy-Nagy, Tschichold, Bernbach, Erickson, Lissitzky… A inveja é uma merda, mas é um grande motivador…

• Como você escolhe suas cores?

Tudo depende novamente dos objetivos de comunicação e de marketing, mas tenho um cuidado de sempre manter uma paleta específica para cada projeto, dentro de poucas (ou uma) tonalidades (hue),  e trabalhando a saturação e os valores (value) desta tonalidade.

• Qual área do design você mais gosta, ilustração ou tipografia?

Não tem uma área de que eu goste mais (deveria ser incluído nas opções a programação visual), eu gosto de trabalhar com todas, e a situação ideal é a alternância destas disciplinas da criação visual.

• Que tipo de empregos você já teve no passado?

Nossa, eu já fui chapista de lanchonete, militar, vendedor de brinquedos, empresário de moda-surf, publisher, editor-chefe, diretor de arte, diretor de criação e professor.

• Como você sabe quando é o momento certo para ser freelance?

Como eu disse, eu gosto de variar. Como sou professor universitário, acho que seria incompatível ter uma colocação em uma empresa full-time e manter a vida acadêmica, por isso ser freelance me permite assumir apenas os trabalho que eu posso garantir a qualidade do resultado final e os prazos necessários.

• Quais são as suas atividades atuais?

Atualmente me divido entre ser professor universitário na UNISINOS, nas disciplinas de Produção Gráfica e Direção de Arte; administrar meus sites (aulas.pro.br – Educação à distância, o Blog Tecnologia & Design e meu portfolio on-line) e atender meus clientes freelance.

• Você tem um cliente favorito para trabalhar?

Não. Eu gosto de trabalhar para qualquer cliente que seja profissional em seus relacionamentos comerciais e que esteja entusiasmado e comprometido com o resultado final. E, é claro, me permita ser criativo.

• Qual a maior frustração que você encontra ao criar o seu trabalho?

A coisa que mais me frustra é quando os clientes são muito exigentes com coisas que não importam em um projeto. Há algumas alterações que eu compreendo, mas quando alguma alteração é solicitada sem uma razão lógica, técnica ou mercadológica, isto geralmente me deixa um pouco frustrado.

• O que você sente ser a parte mais desafiadora de ser um designer / ilustrador?

Atingir o objetivo para o qual você é contratado, com qualidade, criatividade e eficiência.

• Qual é a sua principal prioridade quando inicia projetos de design?

A principal preocupação deve ser sempre “a adequação do projeto para o objetivo do cliente”. Porque eu sou um designer e ilustrador, as pessoas até podem me contratar procurando um estilo específico, mas acho que para ser um designer de verdade você e seu estilo deve ser adaptável a qualquer projeto. Nós somos criadores, é claro que queremos fazer coisas bonitas, mas se isso não é o adequado para o trabalho, não importa o quanto eu goste ou não do resultado final. O objetivo está acima da vaidade.

• Que fontes você gosta?

Varia com o tempo, mas sou bastante fiel ás fontes que gosto… Dax (consegui colocar no meu blog-portfolio!!!), Din, Helvetica, Akzidenz, Frutiger, Univers…

• O que você faz quando não está trabalhando?

Basicamente brincando com minhas filhas, desenhando, pintando e pesquisando… passando os domingos com a família de meus pais: comendo churrasco ao meio dia e dormindo o resto da tarde na rede, com uma filha (e as vezes um cachorro) por cima.

• Você pode me enviar imagens de alta resolução de seu trabalho para testes?

Absolutamente não.  Em todos os meus sites existem todos os meus trabalhos à disposição em baixa resolução para uso livre (comercial ou não) desde que citada a fonte. Então, se você gostaria de comprar um trabalho em alta resolução para impressão, comercial ou não, basta enviar uma solicitação por e-mail que eu posso vender um direito de uso.

• Seu trabalho é caro?

Absolutamente não.  O preço de meu trabalho é justo. Eu precifico meu trabalho levando em consideração o porte do cliente, a exposição que o projeto terá e o tempo consumido até a entrega final. Uma coisa eu aprendi: “Work for free or for full price. never for cheap.”  Ou seja, o trabalho deve ter um preço justo (o normal) ou ser de graça (como doação, caridade ou pro bono), mas nunca barato.